Proposta pedagógica
A Proposta Político-Pedagógica (PPP) de educação popular do CDI se constrói em espaços criados em comunidades menos favorecidas, a partir de uma parceria entre o CDI e entidades comunitárias. Na PPP, as Tecnologias de Informação e Comunicação – TICs – e a educação, ao mesmo tempo em que possibilitam uma melhor qualificação profissional para os educandos, estão a serviço da emancipação humana, da formação do cidadão crítico e pleno, da igualdade e da democracia.
Para esse trabalho, elegemos a Pedagogia de Paulo Freire como nosso referencial teórico, por acreditarmos, como ele, que a verdadeira educação deve ser voltada para a conscientização e a transformação da sociedade. Nosso principal objetivo é, a partir de uma leitura crítica da realidade, promover a conscientização de seres humanos e comunidades para a construção de um mundo justo e igualitário.
Buscamos como objetivos específicos desse trabalho:
- Proporcionar um processo de conscientização dos sujeitos e sua reflexão sobre a sociedade e seus aspectos;
- Favorecer a criação de um espaço físico para discussão, participação e ação comunitária;
- Favorecer o acesso às Tecnologias de Informação e Comunicação – TICs;
- Proporcionar a capacitação de alta qualidade para o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação com sentido social;
- Possibilitar a apropriação social das Tecnologias de Informação e Comunicação pelas comunidades;
- Possibilitar a construção do conhecimento útil, para que, os sujeitos e as comunidades, garantam o exercício da sua cidadania e do seu desenvolvimento social, político e econômico.
A equipe do CDI que trabalha em conjunto com os educadores e coordenadores dos espaços comunitários tem como maior objetivo fortalecê-los, através de leituras e debates, formações e oficinas, para que conscientizando-se e conhecendo melhor a realidade, eles possam motivar e desafiar cada vez mais as suas comunidades,a se engajarem em ações capazes de promover uma sociedade melhor.
A prática pedagógica dos espaços comunitários é desenvolvida através de cursos e grupos de trabalho, que têm como ponto de partida a realidade do educando e do educador e sua prática social. Através de debates, análises da história e de dados estatísticos, textos de jornais, revistas, livros, pesquisas na Internet e entrevistas na comunidade, é feita uma leitura crítica sobre sua realidade social, articulando-a ao contexto sócio-econômico, sócio-político e cultural de nossa sociedade.
O que buscamos promover com essa reflexão dentro dos espaços comunitários? Em primeiro lugar, a identificação das causas reais sobre os problemas sociais desmistificando explicações transcendentais (”porque Deus quer”), utilitaristas (”resultado de opções e esforço individual”) e simplistas (basta qualificar melhor para a “empregabilidade”). Em seguida, uma conscientização sobre a realidade desigual e excludente presente em nossa sociedade e a compreensão do mundo como historicamente construído pelo ser humano e, portanto, possível de ser transformado pela sua própria ação.
Em todo o processo do curso as ferramentas computacionais como editor de textos, planilha eletrônica, gerenciador de banco de dados, entre outros, são ensinadas para serem usadas como apoio no trabalho de pesquisar, analisar, organizar os conteúdos e expressar sua própria síntese da realidade em que estão inseridos. A apropriação tecnológica se dá no processo: enquanto vão descobrindo o mundo que os cerca, estes sujeitos descobrem também as possibilidades de usar a tecnologia.
A motivação inicial da maioria dos educandos, aprender informática para obter um emprego cada vez mais escasso, se desdobra em outras que envolvem sua organização e mobilização em torno da reivindicação de políticas públicas para a garantia de seus direitos, geração de trabalho, projetos sociais, entre outros.
A tecnologia se desmistifica, deixa de ser a fórmula mágica que irá solucionar os problemas das pessoas, comunidades e países, e passa a ser uma ferramenta nas mãos de sujeitos cada vez mais conscientes de que para um mundo melhor não basta apenas “incluir” algumas poucas pessoas em uma lógica social que gera cada vez mais excluídos, mas transformar esta lógica em outra, que garanta uma vida digna para todos.


