Diário Catarinense entrevista Rodrigo Baggio
O principal jornal de Santa Catarina, o Diário Catarinense, trouxe na edição do último domingo uma entrevista exclusiva com o diretor-executivo do CDI Nacional, Rodrigo Baggio. Na conversa, realizada durante a presença de Baggio em Florianópolis, no evento “Voluntariado – ação de cidadania”, o diretor fala sobre os desafios da inclusão digital no país, o acesso às tecnologias pelo brasileiros e o trabalho do CDI neste contexto. A experiência catarinense do CDI é elogiada por Baggio. Confira a entrevista na íntegra.
| Comportamento |
| “Tecnologia eleva a auto-estima” |
| Entrevista: Rodrigo Baggio, fundador do Comitê para democratização da informática |
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Aos 38 anos, Rodrigo Baggio transformou um passatempo da adolescência em negócio sério. Autodidata em informática, o carioca, que aos 12 anos já brincava com as teclas do computador, é hoje diretor-executivo e fundador do Comitê para Democratização da Informática (CDI). Criada em 1995, a ONG, que recebeu em 2006 o Prêmio Sucesu 40 anos, da Associação de Usuários de Informática e Telecomunicações, promove a inclusão digital para milhares de jovens, adultos e idosos em todo o país. O CDI já computa 642 escolas no Brasil, 198 no exterior, cerca de 1,8 mil educadores e mais de 8 mil computadores instalados. No Estado, possui 21 Escolas de Informática e Cidadania, distribuídas entre a Grande Florianópolis e Tubarão, no Sul do Estado. Líder em acessos à Internet nas escolas de ensino fundamental, públicas e particulares, o Estado está em quarto lugar no ranking da inclusão digital, segundo o Mapa das Desigualdades Digitais no Brasil, desenvolvido pela Rede de Informação Tecnológica Latino-americana e Ministério da Educação. Formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pioneiro no país em inclusão digital, Baggio já conquistou o Prêmio Destaque Empreendedor Sustentável, integrou o projeto Principal Voices, da CNN Internacional e revistas Time e Fortune, e recebeu o título de Doutor Honoris Causa em Ciências Humanas, da DePaul University, em Chicago. Em Florianópolis, participou do evento Voluntariado – Ação de Cidadania, realizado em agosto, e elogiou, em entrevista ao Diário Catarinense, o trabalho desenvolvido no Estado e a importância da comunicação no processo da inclusão social. Diário Catarinense – Que tipo de mudança a inclusão digital pode promover na vida das pessoas? DC – É possível viver hoje em dia sem ter o acesso à informática? Baggio – A tecnologia criou uma nova área de aprendizado, que é o conhecimento da informação. Quem não usa os computadores hoje em dia está margeando esta nova sociedade dinamizada pela tecnologia, vivendo um processo de apartheid digital. DC – Qual o perfil dos internautas brasileiros? Baggio – São pessoas com grau universitário, brancos e com idade entre 20 e 40 anos. Por etnia, os descendentes asiáticos são o grupo com maior inclusão digital. Em relação ao estado civil, os divorciados são os grandes usuários. O que não se sabe é se a informática é causa ou efeito destes divórcios. DC – E quem são os mais excluídos? DC – O acesso à Internet é uma realidade democrática no Brasil? Baggio – Um estudo do IBGE, deste ano, identificou que 79% dos brasileiros nunca acessaram a Internet. Ou seja, apenas 21% já tiveram a oportunidade, pelo menos uma vez, de navegar na Web. DC – Qual a sua avaliação sobre o potencial de inclusão digital no país? DC – O que é preciso fazer para avançarmos? Baggio – Não basta liberar os recursos do Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Comunicações). É preciso também criar um Conselho Gestor do Fundo para planejar a utilização destes recursos e avaliar os resultados. É possível fazer uma revolução com este dinheiro. DC – Como este dinheiro poderia ser investido? Baggio – Primeiramente na capacitação massiva da população com baixa renda em informática e cidadania. Em segundo lugar, deveria ser criado um portal de acesso, e depois investimentos em infra-estrutura de conectividade em banda larga. Cerca de 3 mil municípios brasileiros ainda não possuem infovias. DC – Qual a proposta pedagógica do Comitê para Democratização da Informática? Baggio – Nosso trabalho é estimular os alunos para que eles mergulhem na realidade da sua comunidade. Só assim é possível identificar os desafios locais e usar a tecnologia de forma positiva. Ou seja, intervir e impactar na vida das pessoas que estão na sua volta. Não existe uma fórmula pronta. Cada comunidade traz os temas diferentes. DC – Quem é beneficiado pelas escolas? Baggio – Queremos promover a inclusão social de populações menos favorecidas, utilizando as tecnologias da informação e comunicação como um instrumento para a construção e o exercício da cidadania. Além das comunidades de baixa renda, trabalhamos com afrodescendentes, a população carcerária, os cadeirantes e pessoas com problemas de saúde mental. DC – Você conhece o trabalho desenvolvido em Santa Catarina? Baggio – O CDI-SC é um exemplo na nossa rede. Visitei as escolas que existem dentro dos presídios feminino e masculino de Florianópolis e fiquei impressionado com o que vi. Os presos estão ensinando os agentes penitenciários. Na sala de aula, o principal tema debatido é a liberdade. Eles já criaram até um jornal com depoimentos, distribuído para os familiares, que virou motivo de orgulho e reintegração. |
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| Perfil do internautos |
| Idade média 28 anos |
| Rendimento domiciliar R$ 1 mil |
| Escolaridade 11 anos de estudo |
| Domicílio zonas urbanas |
| Fonte: Pesquisa do IBGE divulgada em 2006, com base em dados de 2005 |


